fbpx

No final do mês de setembro tive a satisfação de participar de um evento sobre design aqui em Salvador, como convidado para fazer uma “masterclass”. Um tipo de aula para os participantes.
Uma das mensagens que eu quis passar para o público foi a de que a chave para solucionar muitos dos nossos problemas é a mudança de cultura, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal.
Uma mudança muito difícil, bem verdade. Porém, possível de se fazer e com resultados fenomenais para quem enfrenta com coragem a inquietude de sair da zona de conforto.
Em um determinado momento, fiz uma lista com dicas ou ações que mudaram minha vida ao longo dos últimos anos para que as pessoas refletissem e criassem suas próprias listas, já que não acredito em receitas de bolo, nesse caso.
Então, segue a lista um pouco modificada para o propósito desse post. Sugiro o mesmo exercício que sugeri na masterclass: leia, reflita e crie a sua própria lista.

1. Conecte-se ao que importa

Esse tópico tem o mesmo nome do livro escrito pelo Pedro Burgos. Um livro que gostei muito de ler porque tem uma sinergia forte com as minhas crenças sobre a hiperconectividade e os malefícios que este comportamento traz para a vida das pessoas que exageram no uso da tecnologia.
Boa parte dos usuários de dispositivos eletrônicos, principalmente os smartphones, não tem consciência das armadilhas cognitivas que são usadas para que o vício se instale de forma sorrateira em suas vidas. O resultado é um bando de zumbis dependentes que vagam enxergando o mundo por uma pequena tela, interagindo mediados por esses dispositivos.

2. Planeje mas faça. Mesmo.

Vivemos planejando as nossas vidas. Nossa cabeça está sempre pensando no futuro (próximo ou a longo prazo) e esquecemos de viver o presente. Esse é um dos fatores que causam a ansiedade.
Preocupados com o que vai ou pode acontecer, não percebemos e deixamos de viver experiências do presente. Pior, tentamos guardar essas lembranças do agora para um futuro que não será vivenciado da mesma forma. Taí os shows filmados e não curtidos. Taí as selfies e fotos de lugares que não são apreciados com os olhos e sim com câmeras.
Nada mais saudável e inteligente do que planejar suas ações, suas tarefas, seus próximos passos. Mas de nada adianta apenas planejar e não colocar em prática efetiva tudo o que você quer. É um tópico clichê mas boa parte das pessoas tem dificuldades nisso. Uma boa dica é não tentar fazer uma lista impossível (daquelas que fazemos todo início de ano). Tente micro-tarefas com prazos curtos. É mais fácil e a sensação de progresso é estimulante para que você continue firme e forte no seu propósito.

3. Ajude outras pessoas

Você já esteve em alguma situação onde uma ajuda externa foi muito bem vinda e te deixou feliz? Aposto que a sua gratidão trouxe uma energia positiva para a pessoa que te ajudou.
Então, por que não ajudar outras pessoas também? Seja no trabalho, nas relações sociais, na rua, em qualquer situação.
Esse tipo de atitude transforma e eleva bastante a pessoa que ajuda.
Se você identificar uma oportunidade de fazer diferença em alguma situação, faça. Ajude. Você, no final das contas, está também se ajudando.

4. Compartilhe conhecimento

Esse tópico tem muita relação com o tópico anterior.
Compartilhar conhecimento não é entregar o ouro ao bandido. É importante a gente entender que numa era onde a informação está acessível para qualquer um, quando uma pessoa compartilha conhecimento torna-se agente ativo de uma transformação onde todos ganham. Uma espécie de “curador” num avalanche de dados.
Filtre informações, gere conhecimento e compartilhe. Acredite: você estará fazendo uma grande diferença e será reconhecido por isso.

5. Medite

Se há uma coisa que eu fiz para que minha vida melhorasse em todos os sentidos, essa coisa foi começar a meditar. Eu estava sofrendo com a ansiedade e a síndrome do pânico. Uma vida desregrada e cheia de preocupações que eram tratadas de forma louca, sem direcionamento, sem controle.
A meditação trouxe um equilíbrio tão importante em minha vida que hoje eu me pergunto o porquê de não ter começado a meditar antes. No meu caso, procurei um centro de meditação (budista japonês) e comecei a frequentá-lo. Esse início, de forma assistida, foi na minha opinião a melhor forma de começar.
Os resultados foram impressionantes. Sou até suspeito em indicar como tratamento para a nossa inquietude interior.
Enfim, não adianta só falar aqui nessa lista sobre os benefícios da meditação. Viva essa experiência. Depois me conte o que aconteceu com você.

6. Leia muito. Muito mesmo.

O senso comum ensina que vícios não são coisas boas. Eu concordo. Mas, como toda regra tem exceção, acho que nesse caso o vício da leitura não faz tão mal assim. Nem sempre eu fui um leitor assíduo. Houve uma época – claro que foi na adolescência – na qual eu lia pouco. Coisa de 4 ou 5 livros num ano. Ainda assim, era uma média superior à média de leitura do brasileiro (o que é uma vergonha).
Hoje minha média é muito maior e isso tem me ajudado a entender de forma mais lúcida sobre tudo na minha vida. Além disso, despertou há bastante tempo uma vontade grande de ser um escritor, plano que já estou carregando e colocando em prática.
Um dica: não fique focado apenas nas leituras técnicas ou relacionadas ao seu trabalho/estudo. Claro que essas leituras são importantes e às vezes obrigatórias mas tente também se entregar a leituras que vão exigir um pouco mais de sua imaginação. Eu curto muito o Haruki Murakami. Você tem algum autor preferido? Diz aí pra mim…

7. O foco é o seu melhor amigo.

Quando for fazer alguma coisa, pare, pense, estude o que você vai fazer. Em seguida desligue os possíveis “comedores de atenção” e faça sua imersão.
Tendemos a acreditar que temos a capacidade de ser multitarefa. Sorry babe…não somos. Nossa atenção será dividida e sua produtividade pode ser bem melhor se você realmente focar em uma coisa de cada vez. E nem venha com esse papo que o ser humano evoluiu, que as novas gerações são multitarefa, que estamos sendo bombardeados por todos os lados, etc. Essa “atenção fracionada constante” só prejudica. Sério mesmo.
Você vai aprender muito mais se focar.
Você vai produzir muito mais se focar.
Você vai desenvolver muito mais se focar.
Que tal esses dois livros abaixo?

8. Envelheça com orgulho

Todo mundo tem um preconceito muito grande com o envelhecimento. Isso pode ser uma negação à nossa finitude e o medo de ter que, em algum momento, não ter aproveitado melhor a vida e ter que deixar o mundo arrependido das coisas que não fez. Ora bolas, seu bobinho! Não tem jeito: vamos todos envelhecer. Menos aqueles que morrerão jovens. Qual situação então você prefere?
A velhice – ou se preferir um termo mais leve, o amadurecimento – é uma fase maravilhosa da vida. Claro que o corpo sente a passagem do tempo. Mas há também a parte boa, tá? Sua vida fica cheia de histórias, você acumulou conhecimento, sabedoria, discernimento. É a hora de passar esse conhecimento adiante. Ensine. Nem todos vão aprender ou se interessar, tenha certeza. Mas, do alto dos meus 44 anos, vejo que tem muita gente interessada em coisas que eu tenho para contar sobre o que vivi. Sei que ainda é pouco (devo viver uns 120 anos mais ou menos) e tenho muito chão pela frente. Por isso, quero que essa estrada seja recheada de boas experiências e que eu consiga aprender bastante com todas as coisas que eu vivenciar, como aconteceu com as coisas que eu vivi até agora.

Enfim, essa é uma lista que serve pra mim.
Você pode agora pegar um papel e uma caneta (ainda se lembra desses objetos?) e fazer a sua própria lista.
O que você gostaria de dizer sobre o que você aprendeu ao longo da sua vida?
O que você acha que poderia ajudar algumas pessoas?
E principalmente, o que fez você ser uma pessoa melhor? (se você for uma pessoa do bem, claro).

Quer contar? Manda aí.

E não esqueça: Vá além da montanha!

%d blogueiros gostam disto: