Estive ao longo da quarta-feira, dia 16 de dezembro de 2015, na expectativa para o lançamento mundial do sétimo episódio de Star Wars. Foi um dia de muitas atividades, ansiosidade e expectativas.
Mas eis que de repente uma notícia, para muitos bombástica, entrou na pauta de todas as redes sociais como um ataque surpresa do lado negro da força contra a aliança rebelde: o aplicativo WhatsApp seria bloqueado durante 48 horas em todo o território brasileiro por determinação da justiça.
Quando saí do cinema, às 2:40h da manhã da quinta-feira, o aplicativo já havia sido bloqueado e todos ao redor comentavam sobre o fato. E pra piorar a situação, alguns não conseguiam acessar também o Facebook e o Instagram.
Mark Zuckerberg postou na própria quarta em seu perfil lamentando o bloqueio e informando que o Messenger do Facebook seria uma opção para a troca de mensagens enquanto a situação não se revertia e que estava triste com esse episódio em um país que sempre foi aliado para o desenvolvimento de ferramentas de comunicação.
O que mais chamou a atenção não era de fato o bloqueio do aplicativo e sim as reações de algumas pessoas. Uma breve caminhada por outras redes já explicitava o grau de desespero e dependência que temos com a conexão e onipresença digital.
Algumas delas instalaram um VPN (Virtual Private Network) como artifício para mascarar e simular o acesso aos servidores utilizando um endereço IP de outro país. Desta forma, a pessoa teria acesso ao aplicativo, já que os endereços provenientes do Brasil é que foram bloqueados.
Outros, instalaram outros aplicativos de troca de mensagem, solicitando aos amigos que também o fizessem para que essa troca não fosse interrompida.
Será mesmo que não podemos ficar sequer algumas horas sem usar um determinado aplicativo e sobreviver a isso?
Quão importante esse aplicativo e quanto ele mudou as nossas rotinas e formas de se comunicar?
Obviamente eu sou usuário e senti falta também. Mas quero acreditar que a maioria (ou pelo menos uma boa parcela dos mais de 100 milhões de usuários) não tenha sentido um desespero por ter que ficar 48 horas sem usá-lo.
Esse bloqueio teve, para mim, um lado positivo: serviu de termômetro para refletirmos nosso grau de necessidade e dependência de dispositivos. Não que isso seja ruim, se esse grau não for o de vício. E também para avaliar que o uso dessas tecnologias é irreversível.
O bloqueio durou na verdade 12 horas, tempo suficiente para deixar muita gente estressada e angustiada.
Vocês já se imaginaram sem o WhatsApp ou até mesmo sem conexão com internet durante um tempo? Mas não por opção sua e sim por uma determinação de uma instituição?
Seria uma imposição do silêncio. E nós não somos tão inocentes.

[Post originalmente escrito para a coluna Tecnomóvel, do blog Feminino e Além]

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